E se o maior perigo do nosso tempo n o fosse o sofrimento, mas o fim dele?
Um cirurgi o termina uma opera o e percebe que suas m os est o limpas. Curou um homem sem toc -lo. Sente orgulho e, anos depois, uma vertigem que levaria uma d cada inteira para entender. Dessa vertigem nasceu este livro.
N s vencemos a fome com uma caneta. Vencemos a dor com um comprimido. Vencemos a dist ncia com uma tela, o t dio com um feed, a espera com um clique. Uma conquista atr s da outra, e ningu m percebeu o pre o, porque o pre o invis vel, indolor, e vem embrulhado como progresso.
Escrito por um m dico que opera na linha de frente dessa revolu o, O ESVAZIAMENTO DO HUMANO uma auditoria implac vel e ntima do que estamos perdendo enquanto ganhamos tudo. Da mesa de jantar onde ningu m mais tem fome sala de aula onde a m quina faz o dever de casa. Do amor que virou assinatura cancel vel guerra travada por controle remoto. Do luto que ganhou prazo de validade ao quarto de hospital onde todos n s vamos terminar. S o trinta e quatro cap tulos, um nico fio: a nossa recusa, cada vez mais completa, em lidar com o atrito. A fome, a dor, o risco, a espera, o encontro.
Voc vai reconhecer a sua pr pria vida em cada p gina:
Por que a gera o mais conectada da hist ria a que menos se toca.O que a sua mesa de domingo tem a ver com o colapso da natalidade.A conta que a intelig ncia artificial vai cobrar dos seus filhos daqui a vinte anos.Como um m dico aprende a curar sem tocar, e o que isso custa.Por que o luto virou uma doen a com prazo, e quem decidiu isso.Por que o diploma que voc suou para conquistar j quase n o vale nada.N o um livro contra a tecnologia. um livro sobre o que sobra de n s depois dela, e sobre a nica coisa que ainda n o foi terceirizada, otimizada nem anestesiada: a sua capacidade de escolher.
Voc vai fechar a ltima p gina com uma pergunta que nenhum aplicativo responde no seu lugar:
O que resta de um ser humano quando n o sobra mais nada para sentir?
Uma leitura perturbadora, honesta e, no fim, estranhamente esperan osa, para quem desconfia de que a vida perfeita que nos venderam esqueceu de incluir a vida.