"Doze minutos."
Ela respondeu sem hesitar, com a precis o de quem trabalha numa firma que fatura por hora. Sabia exatamente quanto tempo durava o sexo do pr prio casamento.
E era esse - n o o n mero - o problema.
B rbara tem quarenta e sete anos, dezenove de casamento e nenhuma queixa. O marido timo. N o h crise, n o h trai o, n o h falta de amor. Ela procurou Sophia com uma frase que ela mesma achava rid cula:
"Tudo na minha vida acaba antes de come ar."
Foi a Roma e n o se lembra de Roma. Come em oito minutos. Ouve podcasts em velocidade acelerada. Abra a o marido durante dois segundos com a cabe a no fog o. E deita-se todas as noites com um cron metro ligado dentro da cabe a que ela nunca soube desligar.
O prazer uma fun o do tempoN o de t cnica, n o de beleza, n o de compatibilidade. De dura o. E a maior parte do desejo desperdi ado neste mundo n o morre de falta de amor nem de excesso de rotina - morre de pressa. Casais que se acham incompat veis s o muitas vezes apenas apressados, e o que lhes falta n o habilidade nenhuma: s o vinte minutos.
Mas h uma virada que separa este livro de qualquer lista de dicas: a pressa na cama n o um h bito sexual. um sintoma. Quem faz amor em doze minutos come em oito, dirige com raiva e n o consegue ver um filme sem virar o telefone. A cama apenas o lugar onde a conta aparece primeiro - porque a nica coisa da vida de uma pessoa apressada que n o pode ser feita depressa.
Neste livro voc vai encontrarPor que saber a dura o pior do que a dura o - e o que isso revela sobre quem est de fora assistindoA hora antes: por que aquilo n o come a s onze da noite, e sim s seis da tardeO limiar que se atravessa e que muda tudo - e por que um encontro curto acaba sempre do lado de fora delePor que n o se resolve isto dentro do quarto: o almo o, o carro, o telefone, a fila do supermercadoO adiamento como t cnica, e a diferen a entre fome e apetite56 Compassos curtos, reunidos no fim para consultaPara quem tem tudo, faz tudo, d conta de tudo - e chega ao domingo s cinco da tarde com a sensa o exata de n o ter aproveitado nada, sem saber dizer o que faltou.
Ningu m acende uma lareira depressa. A lenha demora, o fogo pega devagar - e quem tem pressa acende papel, que arde alto, ilumina dois minutos e n o aquece nada.
Da autora de A Mulher que Nunca Flertava, Quarto 314, Os Desconhecidos e A Primeira Vez aos Cinquenta.