Nos idos de 1940, enquanto a Europa ardia em guerra e incertezas, um jovem portugu s chamado Joaquim de S decidiu partir. Deixou para tr s as oliveiras, o Minho e uma promessa sussurrada no cais: "Eu volto por voc ." Na bagagem, uma mala de couro, umas poucas moedas e uma carta - paga a duras penas a um parente distante que garantiu abrigo e trabalho no Brasil. Mas promessa, naquela terra, era coisa que o vento carregava. Quando Joaquim p e os p s no sert o baiano, o calor e a poeira queimam n o s sua pele, mas as ilus es que trouxera. A Fazenda S o Jer nimo, heran a de um passado manchado por segredos e disputas silenciosas, o engole como engolira tantos antes dele. Ali, a terra vermelha, teimosa - e quem a domina sabe que n o basta ter a enxada na m o, mas o sil ncio nos l bios. assim que Ant nio da Cruz, o patriarca, e Josu , seu filho ambicioso, mant m todos sob r dea curta: pela for a, pelo medo e pela palavra que n o chega a quem deveria. Enquanto as cartas que Joaquim escreve para Clara, sua jovem esposa deixada em Portugal, s o roubadas e esquecidas em cestos de papel, ele descobre que precisa de mais que suor para permanecer de p . Precisa aprender a ver no escuro. E nisso encontra sua nica aliada: Luzia, uma mulher negra, velha como a fazenda, que conhece cada raiz dessa terra - e cada mentira tamb m. Luzia guarda segredos enterrados debaixo do p de figo atr s da capela, cartas escondidas, registros que contam outra hist ria: uma hist ria em que Joaquim n o s um estrangeiro faminto por trabalho, mas herdeiro de uma terra prometida - roubada de seu av por m os que hoje se dizem donas de tudo. Mas Joaquim sabe: lutar pela verdade perigoso quando se est s . Assim, em sil ncio, planta sua rede invis vel. Tonho da Reta, pe o conhecedor de trilhas secretas, torna-se seus olhos pelos caminhos. Mariquinha, jovem que escreve cartas para analfabetos, guarda bilhetes em livros de ora o. E Seu Adolfo, velho esquecido num casebre, oferece mapas e pap is antigos que podem mudar o jogo. Cada um, pe a de uma engrenagem que gira na surdina, longe dos olhos de Josu , que come a a farejar o que n o pode controlar. Enquanto isso, do outro lado do Atl ntico, Clara, vestindo o mesmo vestido azul do dia do casamento, luta para manter viva a fa sca que Joaquim acendeu nela. Mesmo quando as cartas param de chegar, ela escreve. Mesmo quando todos dizem para desistir, ela junta suas poucas economias e prepara a travessia. O amor entre os dois sobrevive como raiz de mandacaru - enterrado fundo, firme na seca, esperando a chuva certa para florescer. Terra Prometida um romance sobre o que se perde e o que se guarda; sobre a for a de quem n o tem nada al m de uma palavra e um nome. Fala de heran as que n o cabem em documentos - porque passam de boca em boca, de olhar em olhar, de gesto em gesto. tamb m um retrato das injusti as que se perpetuam quando quem manda acredita que tudo pode ser comprado, escondido ou calado. E , acima de tudo, um canto de esperan a: de que cada promessa sussurrada um dia encontra solo f rtil para brotar. Entre a poeira vermelha do sert o, as sombras da casa grande e os trilhos da estrada de ferro, Joaquim e Clara aprender o que o que se planta no sil ncio um dia se ergue forte o bastante para romper cercas. E quando o trem apita na esta o de Jequi , trazendo Clara com sua mala pequena e os olhos marejados de horizonte, nada mais pode deter o que de direito. Pois ali, naquela terra que sangra e acolhe, onde fincar o suas ra zes - n o pela for a de um sobrenome, mas pela coragem de quem n o esquece que pertencer tamb m resistir.
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