"Sementeira de Esperan a" faz uma abordagem cr tica da situa o do nosso pa s e dos desafios que enfrentamos para promover o bem-estar e dar um futuro condigno a esta terra e ao seu povo. Lendo estas cr nicas nos apercebemos da diversidade, da complexidade e da real dimens o das problem ticas abordadas, que se conjugam e intensificam em cadeia, num c rculo vicioso dif cil de romper.
Face a todos estes desafios, cultivar a esperan a acaba por ser uma utopia. Mas a ltima pista de sa da deste estado de degrada o em que nos encontramos e a Nelvina t o bem descreve. S com a for a da cren a da juventude que poderemos abrir caminhos nessa dire o. Por m, a minha gera o tem a sua cota responsabilidade. A n s nos incumbe relembrar a nossa trajet ria, individual e coletiva, retirar as li es que dela se imp em e partilh -las com a nova gera o. Talvez sirvam de fonte de aprendizado, de inspira o para fazerem o seu pr prio caminho em dire o aos seus sonhos, dentro ou fora da sua terra, mas com ela no seu cora o e como parte fundamental do seu ADN.
Sabendo que a Guin -Bissau ainda tem tudo para ser um para so, o nosso para so: recursos naturais abundantes e ecossistemas ainda produtivos, cultura viva e din mica, comunidades que conhecem e ainda est o arraigados sua terra, uma hist ria recente de unidade e luta que nos elevou coletivamente e inspirou o mundo
Sim, a Guin -Bissau ainda tem tudo para ser o nosso para so S lhe falta homens e mulheres com cabe a e cora o para assumirem coletivamente o seu destino, o seu futuro.
E onde que podemos encontrar esses seres excecionais com os quais "desatolar" o pa s e dar-lhe dire o certa, para um futuro de paz e progresso, de dignidade, com que sonharam os nossos fundadores e ao qual aspira o nosso povo? Por onde come ar a inverter a tend ncia atual de destrui o do projeto de Na o livre e independente, na base da unidade e luta, legado de Am lcar Cabral, pai da nossa Na o?
Todos n s temos um n cleo familiar, uma comunidade de perten a. o que est ao nosso alcance para mudar. Porque n o podemos esperar lideran as, pr ticas governativas, que n o tenhamos cultivado no nosso seio. N o existe uma ra a de pol ticos, ou de militares, ou de todos aqueles que n s designamos para exteriorizar a responsabilidade pela condu o dos nossos destinos. O "Homem honrado" que a minha av defendia e me ensinou a respeitar, uma esp cie em vias de extin o nos tempos que correm. At hoje, esta ideia de "Homem honrado" me serve de baliza para delimitar as fronteiras da minha vida e as escolhas que nela fa o, tanto na minha fam lia, como nas organiza es nas quais tenho trabalhado, na sociedade da minha perten a, no pa s que abra o. a minha coluna vertebral. (...)