Um romance g tico sobre vampiros e o vazio primordial.
Diego Restrepo Paris: Um Tecel o de Sombras no Tape aria das Artes Viscerais
Nas brumas gangrenadas e asfixiantes de Bogot -essa Bacat primordial onde o R o Negro do Miosid gorgoteia subterr neo com rugidos carn voros, exalando vapores sulf ricos, musgo putrefato e terra mida supurante que pica as narinas como cido do averno-, o artista e ocultista Diego Paris recebe o maldito *Speculum Ignotum*: um grim rio encadernado em pele humana l vida e supurante, p ginas manchadas com sangue coagulado que rangem com estalos sseos e liberam fedor met lico a ferro oxidado, v sceras rotas e jasmim murchado. Ao abri-lo com dedos tr mulos, o livro lateja, muda segundo o leitor -para o vulgo, f bulas dilu das em toxinas urbanas com cheiro a suor ran oso; para o iniciado, torrentes de tinta sangu nea fresca com plips salpicantes e sigilos que queimam o paladar como n ctar envenenado- e o conecta a um linaje vamp rico ancestral: os Batza, h bridos abomin veis pr -muiscas de sombra viscosa e carne gangrenada, guardi es do Miosid (vor gine de bano nascida antes dos deuses, com estrondos internos e v mitos espumosos); descendendo a Vrycolacos Primordiais em cavernas de Tequendama com cascatas uivando gargantas rasgadas; Coloniais em casas Tudor rangentes; e Modernos, artistas torturados em por es oxidados com fuma a acre de cera queimada.
Esses n o-mortos n o ca am com caninos brutais em jugulares rasgadas (jorros pegajosos com plips explosivos); s o sacerdotes do Vazio, desangrando almas dist ncia com pensamentos et reos que perfuram cr nios como adagas invis veis, sangue levitante dan ando em espirais com siseos vaporosos, tarifada em cristais et reos que estalam em vis es de sigilos batza, gemidos guturais e sabor abrasador a bile arcana. Veneram entidades primordiais: o Miosid (drag o espiral mastigando estrelas com estalos c smicos); Lilith (alento f tido ro ando pesco os como plumas de corvo com raspados agudos); H cate (velas negras chiando em humedais com fuma a que queima os olhos).
A narra o, em seis cap tulos de agonia transmutadora mais pr logo e ep logo, segue a primeira ca a do protagonista (alter ego de Diego, transmutado pelo grim rio): sede abrasadora lacerando a garganta como brasas regurgitadas, rejei o de presas falsas em cloacas urbanas (mendigos ins pidos vomitados pelo R o em f ria apocal ptica com regurgita es espumosas e cheiro a urina estagnada); ascenso a ca as et reas em Santa Teresita, onde uma mulher hermosa -aura de pensamentos extremos com aroma a tinta fresca e suor de xtasis- explode em hemorragia levitante (nariz inchado brotando fios carmesins com estalidos viscerais, sangue curvando-se no ar com murm rios l quidos, sugado sem toque em gorgoteos carn voros).
Culmina em ep logo apocal ptico: o narrador, agora vrycolaco eterno exilado nas alturas andinas com correntes tilintando, revela a nova vis o vamp rica -n o parasitas de cloacas, mas seletores de "emiss es verdadeiras" (almas puras irradiantes)- e adverte o leitor: nutrir s o R o com tua chama, unindo-te ao aquelarre c smico em orgasmo de trevas com rugidos aprovadores, ou resistir s, desangrando-te em v mito solit rio com plofs vaporosos? O Vazio se expande, infectando a realidade com a fic o em podrid o devoradora.
Uma sinfon a sensorial de horror: vistas de rubis dan antes, toque viscoso e lacerante, odores a ferro quente e v sceras, sabores vomitivos, sons de siseos, gemidos e estalidos carnais *Sangre del Vac o* (2024, edi o independente; Edi o em Portugu s 2025) transcende o terror: ritual batza, invocando o abismo onde o vampiro sacerdote transfigurado. Sentes j o R o Negro em tuas entranhas, leitor, com picor ardente e zumbidos internos... ou ser s devorado em agonia viscosa?