Uma promessa selada com cera vermelha. Um acidente que apagou uma fam lia inteira. Dez bilhetes para voltar a sentir.
Aos vinte anos, Ant nio um sobrevivente: superou limites que pareciam insuport veis.
Na v spera de seu d cimo anivers rio, um acidente de trem tirou de Tony toda a fam lia: pai, m e, irm , av s, tios e primos. Todos eram brincantes das tradi es populares de Alagoas, incorporando a cultura como uma segunda l ngua. Tony sobreviveu sozinho, com apenas um envelope deixado por seu pai, entregue naquele dia e destinado a ser aberto em uma data que ele levaria dez anos para enfrentar. Ao longo dessa d cada, tentou apagar tudo o que eles representavam: m sicas, dan as, festas, toda a heran a. Permaneceu anestesiado o suficiente para seguir adiante, resistente o bastante para n o se quebrar.
No dia em que completa vinte anos, Tony vai Esta o Central de Macei decidido a n o retornar. Um novo acidente o faz despertar em uma esta o fora do tempo, diante de um maquinista mascarado que lhe oferece um bilhete. Ele ainda n o sabe, mas ser o dez bilhetes; cada um conduzindo-o a uma tradi o herdada de sua fam lia: os folguedos alagoanos. Cada folguedo pertence a algu m que ele perdeu e carrega a dor que Tony evitou sentir por anos.
A Esta o permanece sem sa da at que todos os dez bilhetes sejam utilizados.
Tony n o sabia que dez anos de tentativa de esquecer n o bastariam para apagar o que viveu na inf ncia. As ra zes que permanecem n o pedem permiss o, e essa verdade que a Esta o est prestes a revelar-lhe.
Tony n o rejeita sua heran a por ignor ncia, mas porque esse era o nico modo de n o se quebrar. Cada folguedo remove uma defesa distinta, n o para exaltar o valor da cultura, mas para que ele possa abandonar o escudo que o sustentou por tanto tempo.
Esta obra aborda luto, trauma e idea o suicida. Se voc ou algu m que conhece precisa de apoio, no Brasil o CVV atende gratuitamente pelo n mero 188, 24 horas por dia.