O Golpe de Estado de 1964 e seus desdobramentos tornaram o Brasil num pa s bin rio, dividido entre os apoiadores da "Redentora", como era denominada a dita "Revolu o de 64", e os "subversivos". Na segunda categoria, se enquadravam todos aqueles que n o marchavam conforme a ordem unida emanada do quartel general instalado no Pal cio do Planalto. Essa fissura atingiu todas as manifesta es sociais; a literatura, como um todo, e, em particular, a poesia, que se manifesta de qualquer maneira e em qualquer circunst ncia, n o ficou de fora. Assim, assistimos conviv ncia de duas vertentes po ticas: uma excessivamente formal, que substitu a os temas vitais por meras discuss es t cnicas, e outra, s vezes completamente escrachada, que se tornou a manifesta o do inconformismo: se era poss vel censurar a imprensa, a c tedra e o mercado editorial, n o se lograva censurar a manifesta o po tica em seu estado puro de incontrol vel explos o sem peias nem medidas. Por isso, durante o per odo mais acerbo da Ditadura militar essa segunda vertente da poesia passou a ter papel preponderante, porque havia se tornado numa das raras maneiras de os inconformados se expressarem. Com isso, surgiu uma poesia p blica, centrada muito mais num "n s" que num "eu" po tico. Uma poesia mais de conte do que de forma. E essa poesia conseguiu tr nsito na imprensa, no mundo editorial marginal e na vida universit ria. Acabou se tornando conhecida como "poesia marginal". "Poemas da Gente" livro desse tempo, at o t tulo denuncia o car ter p blico e popular da poesia nele contida; e sua organiza o confirma isso: "Primeira pessoa do singular", "Voc e ele: segunda pessoa" e "Encontro: primeira pessoa do plural". L gico, a linguagem tinha de ser o portugu s tipicamente brasileiro, que mistura a segunda e a terceira pessoas do singular. Todos os poemas foram escritos entre 1.969 e 1.981, todos foram publicados em jornais e revistas da poca, da imprensa estabelecida ou alternativa. Tamb m conv m notar que a maioria foi premiada nos muitos concursos que eram comuns na poca.
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