Alguns trechos:
"Virei ultimamente um escravo,
Desses poemas que escrevo
Que passam por um hesitante crivo,
Para avaliar se t?m algo de novo,
Ou se h? neles algum verso vi?vo..."
"Dias depois, aqui estamos, olhos entrela?ados,
Assim como nossos corpos ardentes,
Numa enorme banheira de espuma,
Esquecendo por algumas horas nossos passados!
Algum dia, seremos, um do outro, confidentes,
Mas n?o agora, enquanto nossa paix?o se consuma..."
"Amanh?, nesse mesmo hor?rio,
Partirei, rumo a lugar nenhum,
Para qualquer cidade distante daqui,
? margem de sonhos antigos,
Ou de falsas ilus?es..."
"Aquele 'Oi' com sua voz de veludo
Soou-me como se dissesse "O que est? esperando?",
Mas, em vez de um beijo na face, apertei sua m?o,
S? que aquele seu toque firme disse-me tudo,
Contando-me ter chegado quem estive a vida toda aguardando,
A olhar-me com aquele olhar cheio de paix?o!"
"E, como voc? sumiu,
Deixou-me apenas essa lembran?a
De algumas horas vadias,
Nas quais voc? me usou,
Despudorada,
Incans?vel,
Irrepreensivelmente sedutora,
Eternizando em mim os seus beijos,
Que nunca mais esqueci..."
"Voc? ? uma fortaleza
Inexpugn?vel,
Que resiste sempre
?s minhas investidas,
Por mais inventivas que sejam,
Nunca ergue os seus port?es,
Indevass?veis,
E jamais me permite
Invadir os seus muros,
Nem mesmo com minhas modernas
M?quinas de guerra,
Disfar?adas de poemas..."
"Hoje, apenas fantoches,
A comermos amanhecidos brioches,
Em vez de fil? mignon,
Pois, como tudo que ? bom,
Nosso amor desvaneceu,
E aos poucos morreu..."
"Entre beijos voluptuosos
A usufruirmos desse encanto
Causados por atra??es m?tuas e instant?neas
E depois novamente nossos corpos fogosos
Tocarem-se como jamais o fizeram
Provocando ?xtases nunca vistos
Nessa noite que nunca mais ser? esquecida
Nem as palavras de amor que antes n?o se disseram
Nesses instantes eternos tanto previstos
Em horas velozes que valer?o por uma vida"
"E n?o se engane com meus versos,
Abrasivos,
Er?ticos,
Ex?ticos,
Convidativos,
Pois s?o palavras apenas,
Fruto da imagina??o,
Mesmo que obscenas,
Carregadas de paix?o,
Mas n?o abrem portas,
Que devem permanecer fechadas,
N?o mais do que folhas mortas,
Derrubadas pelo vento nas madrugadas..."
"Pode ser que sejamos inteiros,
Num mundo onde n?o nos crucifixem,
Por sermos do amor prisioneiros,
E com pregos nossos punhos n?o transfixem!"
"Mas essa mudan?a repentina
? irrevers?vel,
Apenas aconteceu na surdina,
Nosso mundo desabou
Em nossa cama vazia,
Nossa festa acabou,
Enquanto voc? dormia..."
"Tens a majestade do Alhambra,
Que de tua beleza me lembra,
E a sabedoria de Coimbra,
Al?m de uma voracidade que me assombra,
Quando estamos juntos numa penumbra!"
"Por onde fores, hoje e sempre, eu te acompanho,
Que importa onde passei, nos caminhos de onde venho?
O amor fica mais saboroso com o tempo, como um vinho,
?s t?o perfeita, que pareces egressa de um sonho,
Uma obra-prima, perto da qual sou um mero rascunho..."
"Nossa novela chegou ao final,
Sem festa e sem final feliz...
Os outros atores sa?ram antes,
Pois nada havia para celebrar,
E, no cen?rio principal,
Apenas algumas malas,
Carregadas de recorda??es,
Roupas que talvez j? n?o servissem,
Bilhetes que o tempo apagou,
Algumas poucas lembran?as boas,
E o resto, utens?lios para a vid
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