"Quando a liberdade conquistada se desfaz na servid o coletiva."
Um nobre portugu s regressa do cativeiro em Argel. sua liberta o, d -se Alc cer Quibir e a ocupa o filipina. Entre cartas e mem rias, Os Prisioneiros de Argel revela a ironia da Hist ria: da pris o f sica pris o pol tica, da sobreviv ncia individual servid o coletiva.Em 1633, Frei Tom de Braga escreve ao Papa Urbano VIII, enviando os pap is que Frei Lu s de Sousa lhe confiara nas v speras da morte. Entre eles, surge um volume inesperado: os relatos de Miguel de Cervantes, o "Maneta de Lepanto", escritos durante o seu cativeiro em Argel e dedicados ao amigo Manuel de Sousa Coutinho.
O que chega a Roma n o apenas um testemunho de correntes e castigos, mas um espelho da ironia da Hist ria: um nobre portugu s que, ao regressar da escravid o, encontra a p tria mergulhada em outra pris o. A sua liberta o coincide com a trag dia de Alc cer Quibir e com a submiss o de Portugal coroa filipina. O homem que sobreviveu s gal s turcas v se for ado a conviver com uma nova ordem pol tica, onde a liberdade conquistada se desfaz na servid o coletiva.
Entre cartas papais, dedicat rias conventuais e mem rias de cativeiro, Os Prisioneiros de Argel constr i um romance arquivo que atravessa s culos: da voz de Cervantes em 1575 s m os de Frei Tom em 1633, passando pela media o de Frei Lu s de Sousa. uma narrativa sobre transmiss o e testemunho, onde cada documento revela n o s a dor dos prisioneiros, mas tamb m a dignidade de quem, mesmo liberto, continua prisioneiro do tempo e da Hist ria.