Kan ? um menino como outro qualquer. Pelo menos era isso o que ele pensava at? conhecer o Vendedor de Alfaces. Quando mastigou umas de suas alfaces viajou para outra dimens?o e chegou ao mundo de SOGIMA, um mundo m?gico onde tudo era duplicado, do que ele conhecia. E havia um outro Kan, ou melhor, um Kan espelhado que se chamava Nak. E a? acontecem mil aventuras nesse estranho mundo de SOGIMA onde tudo era igual mas.. diferente: invertido! A grande aventura come?a assim:"- Kan, vai buscar o p?o para o jantar" pediu minha m?e. Fui pela rua caminhando distra?do. O dia estava nublado e o ar parado. Segui tranq?ilo chutando algumas pedrinhas pelo caminho quando de repente quase tropecei em algu?m sentado na beira da estrada. Gelei quando vi que era ele! Dei um salto pra tr?s e fiquei parado sem respirar, esperando o pior. Nada! Ele estava de cabe?a baixa e parecia que nem havia me notado. N?o sabia se corria ou me fingia de morto. Optei por fingir que era uma m?mia e sem mexer um dedo apenas fiquei de olho bem arregalado, atento. Nada! O cara parecia estar distante pensando em alguma coisa. De repente ouvi meu nome sussurrado de longe: "Kan...". Ser? que foi ele? Nem vi ele se mexer. Ser? que estou imaginando coisas? Ent?o sua cabe?a come?ou a levantar lentamente e pude ver seus olhos tristes, mas am?veis. Sim. Ele me olhava quase como um pedinte de rua. E fez aquele gesto que eu j? conhecia. Foi abrindo o casaco e de l? tirou um molho de alface, parecido com aquele do primeiro dia. Ent?o falou suavemente, quase sem mexer com os l?bios: "Tome! ? para voc?." "N?o quero n?o, n?o quero isso n?o" respondi depressa. "Quem ? voc??". Ele falou se lamentando num tom arrastado: "Eu sou o Vendedor de Alfaces. Mas ningu?m mais quer minhas plantinhas. Dizem que j? n?o s?o mais belas como antes. Que o sabor mudou. Mas ? tudo mentira. Tome! Prove uma...". N?... N?o gaguejei, tenho que buscar o p?o, to atrasado..." tentei desconversar. Ele baixou a cabe?a e lamentou... "Ningu?m mais quer as minhas alfaces... Cuido tanto de minhas hortali?as... S?o puras, puras e t?o fresquinhas..." Comecei a sentir d? daquele estranho ser. J? nem parecia t?o estranho assim. Percebi que meu medo havia ido embora (e gostei pois meu pai disse que se a gente enfrentar o medo ele vira fuma?a) e cheguei mais perto para consol?-lo. "Est? bem" falei, "Mas vai ser s? um pedacinho". Ele esbo?ou um sorriso t?mido e mais uma vez ofereceu as alfaces que me pareceram mais bonitas dessa vez. Peguei um pedacinho de uma delas, pus na boca e comecei a mastigar. "Voc? vai gostar ele disse, voc? vai gostar...". Realmente o sabor era interessante. Nem parecia alface. Uma sensa??o gostosa invadiu meu corpo, subiu um calorzinho e eu ouvia a voz suave do vendedor: "Voc? vai gostar, voc? vai...". A voz foi ficando cada vez mais distante e a ?ltima coisa que lembro ? que ficou tudo escuro. N?o sei quanto tempo passou mas, quando voltei a mim, ao meu redor era o maior breu. Nenhuma luzinha, apenas... Apenas uma l? ao longe.
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