O corpo e a ferrugem um livro de poesia que transforma o universo industrial - f bricas, m quinas, leo e metal - numa poderosa met fora da exist ncia humana. Ao longo de tr s movimentos - Ars Ferruginis, Anatomia das Cinzas e Manual de Recome os - a obra acompanha a passagem da mat ria ao corpo e, do corpo, possibilidade de reconstru o.
Na primeira parte, o leitor entra no cora o da f brica: um espa o vivo, pulsante, onde o trabalho molda n o s o ferro, mas tamb m a identidade dos que o habitam. As m quinas respiram, o ru do torna-se linguagem, e a ferrugem surge como inscri o do tempo - n o como falha, mas como mem ria.
Na segunda parte, este universo desloca-se para dentro do corpo. A carne, os ossos, a pele e as cicatrizes revelam-se como superf cies onde o tempo escreve, onde o desgaste se converte em experi ncia e onde a fragilidade convive com a resist ncia. O humano e o mec nico fundem-se numa mesma anatomia sens vel.
Por fim, na terceira parte, o livro abre-se possibilidade de recome o. Entre ru nas, fragmentos e vest gios, emerge uma po tica da reconstru o: reerguer n o significa apagar o que foi, mas aprender a habitar as marcas, a dar forma nova ao que permanece.
Com uma linguagem densa e imag tica, O corpo e a ferrugem prop e uma reflex o sobre o tempo, o trabalho, o desgaste e a persist ncia, revelando que tudo o que corr i tamb m escreve - e que neste lento processo que o mundo, e o pr prio ser, se tornam leg veis.