O CAMINHO DAS BOIADASDEL?O GODOY OTEROEdi??o da Livraria Jos? Olympio Editora- Rio de Janeiro, 1958.ASSUNTO: Transporte de boiada de Goi?s a Barretos, para o mercado de carnes de s?o Paulo.?poca: d?cada dos anos 40.Uma boiada composta de 1.500 cabe?as de gado de corte, a? vacas velhas, bois erados, como ainda at? garrotes, arranca da cidade de Morrinhos, Goi?s, para Barretos, S?o Paulo.Oito pe?es liderados por um chefe, o comiss?rio da boiada, tamb?m dito capataz, aguardam nervosos o nascer do dia, a fim de partirem: esta a primeira marcha, assim chamado cada dia de viagem.Na noite quente, a boiada berra praticamente a noite toda. Bois brigam, pois nervosos demais no in?cio da viagem.De madruga, os pe?es rodeiam, ajuntam a boiada. A? almo?am arroz, feij?o com carne seca e farinha, mais caf?, comida feita pelo cozinheiro da comitiva, o qual com os equipamentos de cozinha, com seu ajudante e duas mulas, vai para o pr?ximo pouso, l? esperando o comboio. Isto se dar? por 19 dias, numa caminhada de 3 l?guas/dia, isto ?, 18 km, at? Barretos, prazo este nunca respeitado, pois contratempos ocorrem quase a viagem toda.No avan?o da boiada, caminhos dif?ceis, serras ?ngremes, estradas estreitas, bois caindo em abismos e morrendo.Gado perdido, sumido, morto, tais perdas debitadas na conta do comiss?rio, pois ele ganha por cabe?a ilesa, al?m da muni??o de boca que ? fornecida pelo dono do gado.O her?i da hist?ria ? um pe?o de boiadeiro chamado Moreno Ponteiro que leva tal apelido por portar o berrante e ocupar a frente, a ponta da boiada.A caminhada do gado ? lenta, reses sempre perdendo peso n?o s? pela viagem, como pela m? qualidade dos pastos de aluguel encontrados pelo caminho no fim de cada marcha. Tamb?m gado desaparece, ?s vezes, n?o mais encontrado, tamb?m furtado, a? chamado de arribada. Gado morre tamb?m por fraqueza ou picadura de cobra ou ainda ingerindo erva venenosa geralmente no Brasil central conhecida como timb?.? noite nos pousos, geralmente a peonagem canta ou at? joga truco. Cada pi?o tem para seu uso dois cavalos fornecidos pelo dono da boiada.Na viagem surgem cidades, enquanto a boiada estaciona nas periferias, em pastos alugados e ruins por uma noite, pousos j? previamente designados, conhecedor do caminho pelo comiss?rio.Os pe?es que est?o de folga v?o para a cidade bagun?ando os bord?is, dando tiros, brigando, sendo presos, agredidos pela policia local. No outro dia o comiss?rio tira esses b?bados da cadeia, pagando fian?a exorbitante, de novo para Barretos, avan?ando, bois bravos, chamados brabezas, tentando se esconderem em moitas de capoeira, existentes no percurso.No fim de cada marcha um toque diferente, convencional do berrante, avisa a peonagem da culatra, isto ?, da retaguarda e dos lados para estacionar a manada, totalmente, sem afoba??o. Nesse fim de marcha o comiss?rio reconta, cuidadosamente, a totalidade do gado.Chegando pr?ximo ? travessia de um grande rio, no caso o Parana?ba, limite de Goi?s com Minas Gerais, a boiada inicia estouro: O estrad?o boiadeiro apertava mais a cada bra?a. Uma cotovelada de arranque da capoeira atingiu a estrada. A ponta da manda estacou de s?bito. Um estremecido estancou os sons. O fr?mito do pavor cavalgou a boiada. Chifres em chifres estalando. Caudas se erguem. Orelhas hirtas. Os sons desesperados do berrante, entrecortados como o choro cobriram o arranque da boiada. Toda a tropa ?gil da talha lateral, na ?nsia do cavalo de boiada, irrequieto e azuado, cortou preciso o matraqueado do estouro vacilante. O estouro n?o progrediu, aviso ? peonagem da possibilidade de tal vir a acontecer.Da? para frente as marchas se sucederam normalmente, at? Barretos onde o gado ? entregue ao frigor?fico comprador. Tudo anteriormente combinado entre a empresa e o dono da boiada.
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