O portugu s utilizado por Sanoi por vezes europeu arcaizante e erudito ("dissertar", "mui digno", "incumbido"), o que pode causar um estranhamento proposital e dar ao texto uma solenidade que casa com a pretens o filos fica do protagonista. O livro tem momentos de humor escatol gico e s tira social que funcionam bem. A descri o de certos acad micos das seitas, dos pastores e das figuras caricatas do Brasil tem um tom de deboche que , por vezes, genuinamente engra ado.
Ataques s o uma pequena parte da t cnica de humor de Sanoi. Desqualifica Nietzsche, Freud, Gandhi e outros com base em aspectos de suas vidas pessoais como visitas a bord is e v cios, em paralelo ao questionamento de algumas de suas ideias reais. E se d dessa forma para que Sanoi atacado como algu m que usa ad hominem pelo leitor desatento.
Condena todos os protestantes, ateus e acad micos com base nos piores exemplos que encontra, divide o mundo entre s bios e insensatos, sem admitir que possa existir matizes ou complexidade. Muda o discurso do oponente para ele se adequar realidade e ser atacado de forma devida por vezes de forma jocosa. Em momentos pode parecer que Sanoi reduziu toda a psican lise a uma defesa da deprava o, mas n o o que ele faz.
Ele invoca a si mesmo como autoridade m xima e n o se importa por educar com argumento. Ele educa com redu o do outro ao que ele se poss vel com insultos.
Tend ncia jocosa e rejeitar ideias por suas origens Ex: uma teoria falsa porque foi criada por um ateu, protestante, herege ou por um judeu, e n o pelo seu m rito. Todos esses aspectos s o usados como ferramenta de humor.
Ao falar, Sanoi parece ditar um tratado de filosofia cat lica tradicionalista. A cr tica relativiza o da verdade, "vangl ria" acad mica e ao uso da "ci ncia" como dogma pertinente. A defesa de uma moral baseada na virtude e na verdade transcendente um ponto de partida v lido para um romance filos fico.
O mundo dividido de forma muito r gida e essa dicotomia poderia empobrecer a filosofia, mas esta n o se prop e a mostrar pontos positivos do outro lado. O que proposto n o uma vis o geral, o pensamento do grande fil sofo Sanoi e condena o ao que diferente. Sanoi se gaba de sua "falta de modera o na fala" e de sua "virilidade" em dizer "verdades" e isso apresentado como uma virtude ("filosofar com o martelo"). A cena em que ele espanca os te logos protestantes o pice dessa vis o.
A hist ria em si, a jornada de Sanoi, seus romances, o encontro com J lia, extremamente simples e serve apenas como um cabide para pendurar a pr tica de sua filosofia. N o poderia ser diferente em alto n vel. Os personagens s o rasos para funcionarem como tipos: "o protestante insensato", "amigo m rmon ing nuo", a "mulher capivara" que tratada com um carinho genu no, mas descrita fisicamente de forma ruim antes de ser "embelezada" pela reden o.
O Brasil retratado como um "hosp cio" de ignor ncia, o que uma vis o v lida para uma personagem estrangeira, mas pode soar de forma etnoc ntrica e preconceituosa e . Sanoi por vezes se assume preconceituoso ao falar coisas como " ...]para fingir que n o sou preconceituoso."
MAXIMO pode ser entendida como uma obra profundamente imperfeita para os amantes dos alvos de suas cr ticas cegos por paix o partid ria, obra pode ser de dif cil acesso, o estilo pode ser cansativo e isso se deve a Sanoi estar a dissertar para um amigo, em v rios dias, Jonas que acorda completamente com a sua filosofia.