O que posso fazer quando quero escrever e n?o consigo organizar as palavras e dar a ela um sentido? O que fazer quando sinto amor e n?o posso grit?-lo, declar?-lo? Dou para as duas perguntas uma s? resposta: sil?ncio. Um sil?ncio duro, dolorido, que vai corrompendo meus dias e minhas horas, que vai se represando em mim. No desconforto de uma manh?, enquanto escrevia um e-mail profissional olhando pra tela fria de meu computador, me sentindo t?o cheio de tudo, minhas barreiras se romperam imperiosamente. Era t?o urgente sentir e me ? t?o pr?prio sentir atrav?s da escrita, que lancei m?o daquilo que estava bem na minha frente. Abri uma caixa de textos nova em meu Gmail e comecei a escrever aquilo que sentia e, no ato de escrever aquele e-mail, me dei conta de que nunca iria envi?-lo, como cartas que s?o escritas para serem guardadas e nunca enviadas. Escrevi para mim mesmo um e-mail, como forma de sentir o que era necess?rio sentir. Algumas semanas se passaram e em minha caixa de e-mail havia v?rios e-mails n?o lidos, enviados para mim mesmo e como assunto "Longos e-mails pra ningu?m". Agora, mais ou menos rompendo com minha intui??o inicial, n?o envio estes e-mails, mas dou eles ao mundo, como forma de declarar o amor que existe dentro de mim, que ainda se represa, que ainda se cala e que ainda aguarda.
Embora este livro se trate de uma colet?nea de textos mais ou menos diversos entre si, h? um fio condutor, uma linha entre eles, uma rela??o ?ntima comigo, que s? tomando um caf? e olhando nos olhos eu conseguiria explicar, ou n?o. Na impossibilidade de poder explicar-me, um conto, escrito l? em 2018, acordou em minha mem?ria e ele pr?prio (o conto, como se fosse o narrador de minha ang?stia) se prop?s a esta tarefa: explicar-me. Longos E-mails Pra Ningu?m e Infinitamente Pessoal s?o textos que falam sobre amor a partir de minha ?tica singular e turva. Espero que ao ler este livro n?o procurem por seu autor, mas pelo o que o autor deste livro procura.
H.B.