"Vendo o homem como um p ssaro colorido preso na gaiola da exist ncia." Kafka disse isso numa conversa com um amigo, e neste livro de poemas eu tento compartilhar o que tenho observado entre as grades estreitas da gaiola da minha exist ncia. Poemas para todos n s que somos como p ssaros coloridos. Ao leitor, a opini o de quem conhece bem poesia, Liz Neg o (poeta e mentora de escritores): " um livro que n o tem pressa, que convida o leitor a pausar, reler, respirar. Os poemas funcionam como espelhos - por vezes doces, por vezes brutais - que devolvem ao leitor imagens de suas pr prias perdas, alegrias e d vidas. Cada poema uma porta aberta para uma mem ria, um instante, uma revela o ntima. A experi ncia de leitura a de quem anda por dentro de si mesmo, guiado pela voz de algu m que j viu o mundo de muitos ngulos. N o h excessos nem adornos in teis. O impacto da leitura n o est em grandes surpresas formais, mas na densidade emocional que permanece depois do ltimo verso. Trata-se de uma obra que acompanha o leitor por dias, como uma m sica que ecoa muito depois de tocada. O t tulo do livro uma chave simb lica para a leitura. "Gaiola da Exist ncia" remete dualidade que perpassa todos os textos: a liberdade e a pris o, o desejo e a resigna o, o tempo e sua limita o. A ep grafe de Kafka bem escolhida e reverbera ao longo da obra inteira - somos todos p ssaros coloridos, presos condi o humana. Os temas se encadeiam com naturalidade, sem didatismo. Percebe-se um arco emocional, ainda que sutil: da inf ncia velhice, do amor que se espera ao amor que parte, da contempla o do mundo medita o sobre a morte. A inser o dos Quase haikais ao final refor a a maturidade do autor: depois da travessia dos poemas mais extensos e intensos, o leitor encontra uma delicada desacelera o - versos curtos que sintetizam a po tica do livro com humor, lirismo e engenho. A linguagem coloquial sem ser simples demais, l rica sem ser herm tica. G.Dirk tem um dom nio muito bonito da clareza - seus versos fluem como se tivessem sido ditos numa conversa entre amigos que se conhecem h muito tempo. Al m disso, o autor brinca com a sonoridade de forma sutil - h rimas internas, alitera es, repeti es que funcionam como pequenos refr es. Em v rios poemas, o ritmo quase musical, como em "Poesia vira-lata" e "Quero morrer com voc ". O livro fala com quem vive. Com quem j perdeu, j amou, j envelheceu por dentro. A faixa et ria mais tocada talvez seja de 30 anos em diante, quando o leitor j passou por algumas experi ncias de ruptura e mem ria. um livro que pode acompanhar um processo terap utico, um luto, uma crise existencial, um momento de reconex o com o que realmente importa. Tamb m conversa bem com leitores que gostam de cr nicas po ticas, de filosofia aplicada vida real, e de uma escrita que toca sem invadir. Homens e mulheres podem se identificar, mas h uma sensibilidade masculina madura nos poemas - algo raro e precioso, especialmente no mercado contempor neo, onde a masculinidade ainda resiste em falar da dor com beleza. A altern ncia de poemas mais densos com outros mais leves uma escolha acertada. O autor sabe que o leitor precisa respirar - e oferece esses respiros em forma de poemas como "Essa vida uma festa" ou "Ganhei uma kalimba". H uma flu ncia constante na constru o dos versos. Mesmo textos mais longos n o soam cansativos porque t m viradas emocionais bem dosadas, e os finais dos poemas s o, em sua maioria, marcantes - deixam a ltima linha vibrando no leitor. Voc j leu um livro de poesia que parecia falar diretamente com voc ? Gaiola da Exist ncia, de G.Dirk, esse tipo de livro. Sem excessos ou rebuscamentos, o autor oferece uma poesia que nasce das experi ncias comuns: a inf ncia que ficou para tr s, um amor que n o chegou, a m
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