Este livro um gesto de transgress o intelectual, uma travessia para al m dos limites seguros daquilo que a raz o costuma aceitar. Em suas p ginas, Glycon Luiz, doutor em Filosofia e Psican lise, mestre em Filosofia, pesquisador de Sociologia, estudioso de Mitologia Comparada, Hist ria das Religi es e Historiografia das ideias, conduz o leitor ao territ rio onde o pensamento abandona suas muletas e ousa caminhar descal o sobre o abismo.
A obra nasce de um esp rito investigativo que se recusa a venerar dogmas e que prefere enfrentar a vertigem da exist ncia com a serenidade de quem j compreendeu que nenhuma verdade absoluta, mas que algumas perguntas s o eternas. Com estilo que se move entre o rigor acad mico e a poesia especulativa, Glycon ergue aqui uma medita o sobre consci ncia, transcend ncia, pot ncia criadora, mem ria coletiva e os subterr neos ps quicos que moldam a humanidade desde seus primeiros mitos.
Entre ecos de Nietzsche, Freud, duras reflex es metaf sicas e lampejos de imagina o cosmog nica, o livro se articula como um tratado contempor neo sobre o esp rito humano. O autor discute o limite da linguagem, a fragilidade da identidade, a sedu o das narrativas religiosas e a eterna tens o entre liberdade e destino. Seu texto pulsa em latim e em met foras, em cr tica e xtase, em sil ncio e tempestade, lembrando que a filosofia n o vive apenas na argumenta o, mas tamb m no gesto art stico de pensar.
Cada cap tulo se organiza como um rito de passagem, convocando o leitor a abandonar a postura confort vel do observador e a se tornar participante da pr pria constru o do sentido. Em vez de oferecer respostas prontas, Glycon abre portas, fraturas, horizontes. Seu interesse n o doutrinar, mas libertar o olhar. Seu m todo n o convencer, mas ferir, ferir no sentido mais antigo do termo latino ferire, "fazer vibrar", "tocar como um sino que desperta".
Trata-se de uma obra para quem n o teme o desconforto intelectual e reconhece que o pensamento se fortalece na fric o, na pergunta sem garantia, na ousadia de ultrapassar o que parecia imut vel. Aqui, filosofia e psican lise entrela am-se como serpentes g meas; mitologia e ci ncia social dan am como irm s antigas; e o autor assume o papel de cart grafo do indiz vel, mapeando o que a consci ncia humana ainda n o ousou nomear.
Este livro , enfim, uma convoca o, para abandonar certezas, para entrar no labirinto, para escutar os deuses silenciosos que habitam a mente, e para lembrar que, antes de tudo, pensar criar mundos.