A pequena cidade de Havenbrook repousava tranquilamente, rodeada por colinas suaves e pelo rio que cortava o centro, como se quisesse dividir o passado e o futuro em duas margens distintas. Quem chegava cidade sentia de imediato um ar de organiza o, ruas limpas, pr dios p blicos impec veis, escolas funcionando, hospitais com m dicos dispon veis. Havenbrook parecia perfeita. Mas, como toda cidade perfeita, havia fissuras escondidas sob o asfalto.
Nathaniel Carter - ou simplesmente Nate, como todos o chamavam - descobriu muito cedo que sua vida n o seria como a dos outros. Desde crian a, o mundo lhe parecia feito de engrenagens invis veis, cada movimento preso a uma sequ ncia l gica que poucos conseguiam enxergar. Aos oito anos, j resolvia problemas de matem tica avan ada sem ajuda; aos dez, lia artigos de f sica qu ntica como se fossem hist rias em quadrinhos. Sua mente era veloz demais para a idade.
Mas a verdadeira descoberta n o veio dos livros.
Foi em uma tarde de ver o, quando corria pelo quintal da casa de sua m e, que Nate viu algo que jamais esqueceria. Por um instante, tudo ficou em sil ncio. O vento cessou, o canto dos p ssaros desapareceu, at o barulho das folhas pareceu congelar. Quando olhou ao redor, percebeu que n o estava mais no quintal, e sim dentro da mesma casa, mas anos antes: m veis diferentes, cortinas antigas, a m e mais jovem, distra da preparando o jantar. Ele quis gritar, mas nenhum som saiu.
Minutos depois, voltou ao presente. Assustado, guardou segredo. N o sabia o que havia acontecido, apenas que aquilo n o era um sonho.
Com o tempo, essas "quebras" se repetiram. O que Nate n o entendia era que estava fazendo suas primeiras incurs es no tempo. Sempre para o passado. Sempre como uma sombra invis vel.
Apesar da estranheza de sua condi o, Nate teve uma inf ncia quase normal. Quase. E nesse "quase" estava o detalhe mais importante: Elizabeth Monroe.