Atenas, s culo V a.C. Thaida, uma mulher com aridez espiritual, busca respostas e o or culo de Delfos lhe revela um nome, Cl nias, Filho de Ax oco, disc pulo de S crates, conhecido por sua firmeza e amor verdade.
Entre a admira o e o temor, Thaida inicia um di logo que transcende. O que come a como busca por orienta o transforma-se em confronto de almas: ele, marcado pela experi ncia e pelo peso de um mestre inesquec vel; ela, ferida pelas ilus es do passado, mas disposta a descobrir se ainda h ordem poss vel em meio ao caos. Pode a virtude ser ensinada ou transmitida? At que ponto os deuses, ou o divino, interferem em nosso destino? Em quatro atos, acompanhamos n o apenas o encontro entre Cl nias e Thaida, mas tamb m o legado dessa uni o: os doze filhos, o fil sofo Pl nius que ousa questionar os deuses, e a tens o eterna entre disc rdia e ordem, na alma humana e no Olimpo. O "di logo" fortemente inspirado por Plat o, mas n o segue o estilo de Plat o. A narrativa se desenrola em tr s atos principais: o encontro e uni o de Cl nias e Thaida, o debate filos fico do filho Pl nius, e um desfecho m tico no Olimpo. A divis o em atos e interl dios permite pausas para reflex o sobre o que foi discutido. A evolu o da hist ria (encontro, debate, consequ ncias) l gica. A passagem sobre a democracia e a qualidade do ju zo (Ato I) um ponto alto e atemporal. A ideia recorrente de que a verdade vivida, n o apenas dita, e que palavras podem ser insuficientes bem explorada, especialmente no sofrimento de Pl nius. Cl nias e Thaida funcionam bem como representantes de ideais (a raz o pr tica e a busca feminina por realiza o). O contraste entre a sabedoria experimentada de Cl nias e a juventude questionadora de Pl nius um bom recurso narrativo. A Voz Feminina em Thaida pode incomodar pessoas escravas de ideologias, pois a tradi o pode ofender ideais p s modernos. A discuss o sobre o Uno: O debate entre Pl nius e Diogo sobre um "deus nico" versus o pante o grego o cora o filos fico da obra bem constru do, com argumentos de ambos os lados. A obra pode aparentar tentar inserir uma vis o monote sta crist dentro de um di logo grego. Era tend ncia real de alguns do per odo. A obra n o culmina com o deus crist o e tem seu pice no pante o. Inser o de Mitologia: O Ato III e IV, com o Conc lio dos Deuses, traz uma virada interessante. Humanizar os deuses em suas disputas (Eris vs. Atena) uma forma de representar as for as em jogo na exist ncia humana. A imagem de Apolo trazendo a peste como castigo poderosa e condizente com o mito. A inspira o dos habitantes de Tebas que especulavam que Phebo Apolo lhes castigava com a peste. O sofrimento e apagamento final de Pl nius, sob um olhar pedante de apedeuta, pode ser confundido com uma puni o crist , "n o tente ser como Deus", do que grega, onde a hybris era punida, mas a busca pela excel ncia, aret , era o objetivo m ximo. Os di logos transitam para discursos. Quis fazer dessa forma e obviamente poderia ter feito diferente como fiz em Et reo e Teodoro onde o di logo socr tico feito de perguntas curtas que levam o interlocutor a se contradizer. O estilo desse diferente e Cl nias, principalmente, se adianta a deduzir a d vida do interlocutor a dar a impress o de que ele sabia antes o que lhe seria questionado.