Um dia sonhei com um comboio. N o era apenas um transporte - era um cortejo de ideias, de gente, de sil ncios. Homens e mulheres viajavam comigo, mas o que mais me tocava era a presen a dela: Clarice. N o sei se fal vamos, ou se apenas pens vamos juntos. Mas ali, entre o ru do das rodas nos trilhos e o rumor do que nunca se diz, nasceu este livro.
Foi num desses sonhos que tudo come ou. Escrevi deitado, meio desperto, at o cap tulo seis. Palavras vinham como sussurros, tremores de uma alma que procurava um nome - o dela. Depois, j sentado no sof da sala, continuei entre pausas e respiros, com a ins nia como companhia, at chegar ao cap tulo doze. N o por escolha, mas por necessidade: era Clarice quem escrevia em mim.
... Clarice, i love you... n o uma afirma o. uma pergunta suspensa no tempo.