Livro finalista no International Latino Book Awards 2020
CANTO ESCURO, livro de Daniel Barros que clama por luz em tempo de obscurantismo. CANTO ESCURO, como denuncia o t tulo, se quer menos tang vel que a es e resultados de "corrup o e prostitui o na capital da rep blica", como dizem os blogs liter rios, ou simplesmente uma "trama policial sobre corrup o", como apostou o Correio Brasiliense. Daniel Barros dialoga com a hist ria em sua pr pria narrativa, transmitido para ela, de forma quase visceral - o que nos faz lembrar Bukowski - o drama da condi o humana, a perplexidade frente a realidade, a busca de uma natureza que n o est no passado, e... como se n o o coubesse impor um ponto final a uma fic o, mantem-se fiel a esta realidade eternamente processo, eternamente constru o, eternamente indesvend vel.
O romance Canto Escuro tem em sua personagem central, o funcion rio p blico Paulo Henrique, o eixo mediador do mundo real e do mundo ideal. Valendo-se de um percurso narrativo n o linear, onde joga com o tempo antecipando, na primeira parte, uma esp cie de "sursis" existencial, expressando a indefini o de condi es em que se v sem sa da, no trabalho, diante da descoberta de fraudes em licita es e, em casa, perante uma rela o neur tica, nascida da busca rom ntica de estabilidade e sentido para a pr pria vida. Esta busca do eterno se justifica na segunda parte do livro, quando Daniel regressa juventude hed nica de Paulo Henrique junto a amigos, dentre os quais dois policiais. Naqueles momentos revela-se um tra o comum de outras personagens do escritor alagoano, o erotismo e o alcoolismo bo mio que, naquelas circunst ncias, acrescidas pela perda de tempo e de oportunidades, deslocam o protagonista do plano et reo da la petite mort para o da expectativa de algo que se prometesse duradouro, s lido. O drama da vida familiar compensado por sua retid o profissional, que vislumbra o bem comum e pelo afeto social extrafamiliar que lhe favor vel, assim o livro se constr i com a constru o de outras personagem que reafirma a inten o do autor em suscitar a exist ncia da tica dentro do caos e culmina com duas solu es que apontam, do ponto de vista da satisfa o do leitor, para a realiza o de Paulo Henrique, o desvendamento da corrup o que havia denunciado e a morte da mulher que, em passagem sutil do enredo, deixa a sombra de uma poss vel trai o, n o elucidada propositalmente por Daniel Barros, escritor apaixonado pelas tramas machadianas.
Canto Escuro, como toda literatura deste autor, combina facetas que transitam entre o real e a fantasia, mas com um foco claro na defesa do compromisso tico com o bem social, na rela o com o trabalho e com os parceiros, revelando alter egos como o do Ximenes, um policial honesto e competente que, para n s mais pr ximos ao escritor, reflete a pr pria exist ncia de Daniel Barros em sua trajet ria profissional como policial, filho e irm o de policiais que foram e s o exemplos irretoc veis de compromisso com a justi a.