O Fogo obedece a tr s movimentos: Fa sca, Labareda e Brasa.
O fogo sempre o come o.
nele que a alma desperta, arde, estremece e se revela. Antes que qualquer forma se estabele a, antes que a palavra encontre sua m sica, o Fogo que vem - abrasador, indom vel, exigindo verdade.
Foi assim tamb m comigo.
Este primeiro volume nasce da fase mais incandescente da alma: aquela em que o amor chega como raio e fulgor, desordenando tudo o que parecia est vel. A paix o - humana e espiritual - irrompe como for a inici tica e convoca a alma a uma travessia sem retorno.
a etapa da calcina o, quando o fogo interno consome ilus es, m scaras, defesas e medos, deixando apenas o essencial.
O Fogo n o pergunta se estamos prontos.
Ele simplesmente queima - e, ao queimar, purifica.
Os poemas que comp em este volume foram gestados nesse calor primeiro. S o versos forjados na dor luminosa, na falta que molda, na presen a que transborda, na saudade que n o se pode conter. Registros de um tempo em que o cora o precisou arder para renascer.
N o se tratou de queda, mas de revela o.
N o de perda, mas de ilumina o das zonas ocultas da alma.
Em cada palavra, h um vest gio dessa combust o sagrada.
Aqui, o amor aparece em sua forma mais crua e bela: como febre, como ora o, como vulc o; como sagrado descontrole que obriga a alma a olhar para si mesma. E, mesmo quando fere, ele guia. Mesmo quando arrasa, instrui. Mesmo quando silencia, acende.
Este o livro em que a alma aprende a falar fogo.
Onde tudo o que sufoca devolvido ao ar.
Onde o que se rompe se torna in cio.
Onde o que parecia perda revela-se transmuta o.
Que este primeiro volume abra em voc , leitor, a mesma porta que abriu em mim: a porta da coragem de sentir, da honestidade de existir, da beleza que s o Fogo capaz de ensinar - aquela que nasce quando tudo arde, mas nada se perde.
Porque o amor, quando verdadeiro, n o destr i.
Ele purifica.
Ele prepara.
Ele transforma.
E o Fogo apenas a primeira etapa dessa grande obra.
Atravess -lo necess rio.
Renascer dele, inevit vel.
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