H quem diga que a cr nica est fora de moda. Esse g nero, considerado menor, menos nobre, indigno de um ganhador de pr mio Nobel de literatura presa f cil das l nguas ferinas dos literatos em suas mesas empoeiradas. Mas como pode estar fora de moda um g nero que traz a refer ncia ao tempo em seu pr prio nome? Para Ant nio C ndido, a cr nica est sempre ajudando a estabelecer ou restabelecer a dimens o das coisas e das pessoas, pois pega o mi do e mostra nele a grandeza. Em tempos t o confusos e cinzas, por que, ent o, n o retornar a um g nero que restabelece dimens es, faz muito com pouco e extrai sorrisos at dos carrancudos? Mas conv m n o exagerar O sorriso da cr nica n o pode ser gargalhada. Uma cr nica que se preze n o faz ningu m mostrar todos os dentes. preciso manter algum grau de gravidade para que a vida seja entendida como algo de que se deva sorrir, mas n o debochar. O sorriso que a cr nica suscita deve ser um sorriso de canto de boca. Alegre, mas n o muito.