Esposende, ver o de 1969.
Marta Nogueira chega a uma terra que n o a espera. N o traz bandeiras nem discursos, traz apenas uma pergunta, e um coro de crian as que ningu m lhe pediu para fundar. Numa comunidade humilde, presa a hierarquias antigas, onde h lugares certos para cada um, a sua simples presen a come a a desarrumar tudo.
Porque a pergunta que Marta faz, quem tem direito a ser ouvido, abre uma fenda no sil ncio de uma vila inteira. E por essa fenda entra tudo o que Esposende escondia de si mesma: o luto de um pai que nunca soube amar o filho; o sil ncio de uma crian a cujo irm o partiu para uma guerra distante que ningu m sabe explicar; a dor de uma menina que perdeu o pai ao mar e descobre, cantando, a nica forma de o manter vivo.
Num Portugal suspenso entre a tradi o e a mudan a da Primavera Marcelista, com a guerra colonial de fundo, as cantigas proibidas e a PIDE como pano de fundo vivo, nunca decorativo, um coro de escola torna-se o lugar onde a dor, cantada em conjunto, deixa de ser insuport vel. E onde a perten a n o se herda: conquista-se, nota a nota, sil ncio a sil ncio.
A Voz dos Rouxin is n o um livro sobre m sica. um livro sobre o que a m sica salva quando as palavras j n o chegam.
Um romance que se l com o corpo inteiro, com a respira o suspensa e a mem ria de uma melodia que reconhecemos, sem saber bem de onde vem.
Deixe que esta voz o encontre.
da e transformada em canto, deixa de ser um fardo para se tornar um grito de liberdade.