Em A Revolu o, Gustav Landauer n o escreve uma hist ria convencional das revolu es. Seu ponto de partida mais radical: a revolu o n o pode ser compreendida como simples mudan a de governo, tomada do poder ou substitui o de institui es. Ela antes um fen meno profundo da vida social, um momento em que as formas estabelecidas de conviv ncia se dissolvem e novas possibilidades hist ricas come am a tomar corpo. Logo nas primeiras p ginas, Landauer recusa a pretens o de tratar a sociologia como ci ncia exata. A vida hist rica, para ele, n o feita de subst ncias fixas, mas de rela es, acontecimentos, sofrimentos, a es e v nculos entre pessoas. Por isso, falar de Estado, Igreja, povo, classe ou sociedade sempre recorrer a constru es auxiliares: formas que ajudam a pensar a experi ncia, mas que tamb m podem se tornar poderes reais sobre os homens. A revolu o aparece justamente quando essas constru es se tornam insuport veis e come am a ser desfeitas. nesse contexto que Landauer formula uma de suas distin es mais conhecidas: a oposi o entre topia e utopia. A topia a ordem relativamente est vel de uma poca, o conjunto de institui es, costumes, poderes e formas de vida que organizam a exist ncia comum. A utopia nasce como rea o a essa ordem, reunindo aspira es dispersas, vontades individuais e impulsos de transforma o. Mas a utopia, ao realizar-se, tamb m se converte em nova topia. A revolu o o intervalo inst vel entre uma forma hist rica que se desfaz e outra que ainda n o se consolidou. A partir dessa reflex o, Landauer percorre epis dios e figuras da tradi o revolucion ria europeia, do cristianismo medieval s revolu es modernas, passando por movimentos religiosos, heresias, comunalismos, cr ticas ao Estado e projetos republicanos. Seu interesse, por m, n o est apenas nos fatos. O que ele busca compreender a energia espiritual, social e comunit ria que anima certas pocas de ruptura - e tamb m o modo como essa energia, ao institucionalizar-se, perde sua for a origin ria. Publicado originalmente em 1907, A Revolu o ocupa um lugar singular na obra de Gustav Landauer, pensador libert rio alem o, cr tico do Estado, da pol tica parlamentar e das formas abstratas de poder. Mais do que um tratado hist rico, este livro uma filosofia da transforma o social: uma tentativa de pensar a revolu o n o como evento isolado, mas como ritmo recorrente da hist ria, como dissolu o das formas mortas e busca de novas possibilidades de vida comum. Esta edi o brasileira apresenta ao leitor uma das obras centrais de Landauer, autor cuja influ ncia atravessa o pensamento anarquista, a cr tica social, a filosofia da hist ria e as reflex es modernas sobre comunidade, Estado e liberdade.
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