A cidade que tudo devorou conta duas hist?rias em duas narra??es alternadas entre as falas de N sunha e Spran?a, sendo a ?ltima uma voz criada pela primeira para relatar as consequ?ncias que um livro da sua autoria teria sobre a pol?tica e a sociedade guineense. Um bom livro na hora certa! Contar estas hist?rias, desnud?-las, ? fazer frente a um mar de contradi??es que saltam ? vista quando se levanta a ponta do v?u das sociedades secretas como tem vindo a fazer este jovem escritor. As aberra??es e contradi??es que ressaltam quando o olhar cl?nico do escritor perscruta as muralhas do poder, onde as trai??es e a lei espartana do mais forte imperam. O card?pio das maldades canibalescas de elimina??o de advers?rios que ressalta deste livro, altamente recomend?vel, ganha um pendor de relevo pela forma de contar e descrever os cen?rios que os torna de uma enorme verosimilhan?a. Est?-se perante uma linguagem flu?da, rica, fascinante, diversificada e de bem-contar, que prende o leitor. Este livro ? uma viagem ao desconhecido com um timoneiro perspicaz num "leme de boa pena" que negou o obscurantismo e romanceia verdades escamoteadas. O realismo, o existencialismo e a ideia do transcendental em que a hist?ria ? apresentada misturam-se com uma convidativa intertextualidade com algumas das mais emblem?ticas obras de cria??o liter?ria guineense (e n?o s?), para al?m de picantes recursos a belas melodias da m?sica guineense e africana, como forma de refor?ar o sentido a um ou outro epis?dio em narra??o. Tudo acontece como se estiv?ssemos, n?s mesmos, leitores e leitoras, a movimentarmo-nos e a tomar parta no enredo, porque a est?ria ? feita das nossas almas, nossas cren?as, nosso dia-a-dia, na Guin?-Bissau e nas nossas di?sporas. A cidade que tudo devorou ? tr?gica como as trag?dias que fazem a nossa hist?ria. Nem as "cedeaos", nem as embaixadas que ainda se mant?m em Bissau, t?o pouco as nossas guerras e lutas em que nos vemos metidos sem que muitas vezes tenhamos no??o sobre elas parecem ter alguma solu??o para o nosso infort?nio. "Quem nos ir? salvar?", pergunta-se no final da hist?ria". "A esperan?a ? ?ltima a morrer", diz o ditado. E ? justamente por essa imortalidade da esperan?a que ela aparece na hist?ria como sentimento e como personagem que as balas devorantes de Bissau n?o conseguem aniquilar. Mas o Daf? incita-nos ao caminho de esperan?ar, tal como diria Paulo Freire. Um caminho de ac??o para nos libertarmos dos males que nos impedem de marchar enquanto povo para o progresso h? tanto tempo almejado. Talvez por isso, p?e um ex?rcito de galinhas na narrativa a enfrentar o poder de crueldade dos homens e projecta a resist?ncia de mulheres bideiras contra a delinqu?ncia homicida de Os Com?s. ? como se nos estivesse a convidar, enquanto povo, a inspirarmo-nos nestes simples exemplos de heroicidade para a nossa salva??o colectiva. ? com Spran?a enamorado por N sunha que cada um/a de n?s, guineenses e amigos/as do pa?s, somos incitados pela hist?ria aqui contada a abra?ar outras lutas sem sangue nem ?dio, todas as formas de ?dio, e ressuscitar "os sonhos de Cabral" por um pa?s que n?o mate por drogas, por corrup??o, por mis?ria, por doen?as que hospitais n?o curam, nem por ignor?ncia porque h? escolas sem aulas.
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