Uma fruta. Um olhar. Um problema.
A banana n o queria dizer nada.
Foi o olhar que come ou o problema.
Em A bananice da banana, Tilo Pl ger transforma uma das imagens mais comuns da cultura brasileira em mat ria liter ria, filos fica e profundamente contempor nea. A banana aparece como fruta, insulto, gesto obsceno, pre o baixo, mem ria dom stica, s mbolo pol tico, piada nacional, alimento popular e pergunta inc moda.
Mas este n o um livro sobre frutas.
uma cr nica filos fica sobre o modo como olhamos, nomeamos, diminu mos, desejamos, descartamos e transformamos as coisas. A banana, aparentemente simples, atravessa o imagin rio brasileiro como medida de valor, met fora de fraqueza, sinal de abund ncia, marca de classe, lembran a de inf ncia e pequena cena de linguagem.
O que significa chamar algu m de banana?
O que se perde quando algo fica "a pre o de banana"?
Quando uma fruta deixa de ser alimento e vira gesto, insulto, pa s, corpo ou mem ria?
E o que acontece quando o banal interrogado at perder a inoc ncia?
Com humor seco, precis o po tica e uma estranha ternura pelo cotidiano, A bananice da banana descasca uma imagem familiar at revelar sua instabilidade. Cada cap tulo parte de uma express o, cena ou uso popular - ser um banana, dar uma banana, pre o de banana, rep blica das bananas, banana nanica, banana-da-terra, vitamina de banana, bolo de banana - para construir uma reflex o sobre identidade, linguagem, valor, cultura brasileira e aquilo que a sociedade aprende a desprezar justamente porque parece comum demais.
Entre ensaio liter rio, cr nica filos fica e investiga o cultural, este livro fala sobre bananas apenas na superf cie. No fundo, fala sobre n s: sobre a viol ncia discreta dos nomes, sobre a pressa do julgamento, sobre a economia simb lica do barato, sobre o corpo que amadurece em p blico, sobre o riso que diminui e sobre a mem ria escondida nas coisas dom sticas.
Para leitores de literatura brasileira contempor nea, ensaios po ticos, cr nicas culturais, filosofia do cotidiano e livros que encontram profundidade nos objetos mais simples, A bananice da banana oferece uma experi ncia rara: inteligente, ir nica, sens vel e dif cil de classificar.
Uma banana sobre a mesa.
Um olhar que insiste.
Uma fruta interrogada at perder o nome.
Ou talvez apenas uma fruta olhando de volta.